quinta-feira, 18 de abril de 2013

Pôr-do-sol


Nuvens braseiam o espaço,
Colorindo, o acaso, que vem,
Distante do grande além,
Arranha-céus, vales e matas,
Do borbulhar das cascatas,
Um explendoroso espetáculo,
No firmamento o cenáculo,
Que ao espiar o homem retrata.

Mirando a invernada infinita,
Fico deslumbrado com a cena,
Perdido na grandiosa arena,
Da imensidão inconteste,
Do solo, verde  e agreste,
A cuia de mate emborcada,
A coca da prenda manchada,
 Na barra da cuia celeste.

O beijo ardente da prenda,
O sinal bronzeado é fruto,
Deste quadro um tanto xucro,
De enrodilhar o horizonte,
Que serve de musa e fonte,
No entardecer da querência,
Onde o por-do-sol é essência,
Aqui na Boca-do-Monte.

Singelo e grandioso prelúdio,
Tingido com as mãos do Criador,
Tela de singular explendor,
Que a nós Deus oferece,
Sem qualquer oferta de prece,
No lusco-fusco do anoitecer,
Chamando-nos para ver,
Este postal que jamais, se esquece.

Santa Maria, RS, Maio de 1986

sábado, 18 de fevereiro de 2012

RENASCER

Das entranhas da mãe terra.
Fui transformado num pequeno ser,
Do grão de areia me vi crescer,
Fiz tudo para conquistar o que é meu,
O tino religioso não me deixou ser teu,
A vida, penumbras, sem ser realizadas,
O mundo que vivia metrazia embaraçada,
Mas sempre confiante na força de Deus.

O tempo corria, corria acelerado,
Nós, meu cosmos, um elo em harmonia,
Um mundo todo, com aquela sintonia,
Fraterno com muito companheirismo,
Que seguida em rítmo de catecismo,
Dentro do aconchegante e radioso lar,
A palavra de ordem, era amar,
Compreender, doação e altruísmo.

Assim sucederam vários outonos,
E muitas coloridas primaveras,
Quais, testemunhas e quimeras,
Constaram do rol da inexperiência,
De sucessivos anos de persistência,
Nos pilares de grande jornada,
Que solidificava uma caminhada,
Em mosaicos de longa convivência.

Mas vejam que de pronto,
Sem preparação para atropêlo,
Me vejo em negro desespero,
Lançado rumo a profundo abismo,
Forçado a rasgar aquele catecismo,
Pois perdera a razão e o efeito,
E o vendava, dilacera o meu peito,
E matava a virtude do companheirismo.

O espírito em completo desalento,
Impelia-se ao fundo do poço,
E presa sem ser saída, permaneci no fosso,
Paralisada sem qualquer sentido de vida,
Minha alma inquieta e mui sofrida,
Se conrreia nas franjas da amargura,
Arremessando-me as raias da loucura,
De encontro a um torvelinho fraticida.

Mas eis! Que de repente surge,
Uma luz com força avassaladora,
Brotando como mola propulsora,
Rejuvenescendo todo o meu ser,
Dando nova dimensão ao meu viver,
Iluminando por um caminho de luz,
De um novo universo que me conduz,
Em glorificante renascer.

Renascer na felicidade,
Para aqueles que me são caros,
Renascer nos momentos raros,
De contradições e tristezas,
Mas renascer com a certeza,
Com o corpo e a alma em harmonia,
Buscando uma nova filosofia,
Para um renascer sem surpresas.


Santa Maria, abril de 1986.
                                                                     PMR - Autor

ALMAS DO RINCÃO

Querendo saber as origens,
Sai no tempo a galope,
Querência de São Pedro,
Leste, Oeste, Sul à Norte.

Cristóvão Pereira de Abreu,
Num acalque de esporas,
Surgiu no seio da pampa,
No flete solto d’aurora.

Tropeando gado xucro,
Passo à passo nesta Terra,
Alargando as fronteiras,
Cobrindo planícies e serras.

Rasgou caminho na mata,
Construiu rude galpão,
Fincou a primeira estância,
Na taba de meu rincão.

Dilacerou o ventre do “pago”,
Marcando de vez este chão,
Traçou marco divisório,
No Chuí, limitou a nação.

Criou a primeira ordenança,
Prá defender o chão pampeano,
Coronel tropeiro, monarca,
Raiz, embrião Brigadiano.

Estribilho:

A história do Rio Grande,
Se confunde com a Brigada,
Nesta terra onde se espande,
Nossa gente arrinconada.


Rastreador do pago/Querumanos

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

POUSADA DE PARDAIS

A tranco no pensamento,
Remonto meu velho flete,
Mangueirão acampamento,
Faço parar no brete.

Dou de rédea no passeio,
Boleando a perna no más,
Oiga-lê! Lindo floreio,
No canto destes pardais.

Estribilho
São asas de liberdade,
São vozes em sintonia,
Cobrindo nossa cidade,
Com preces de Ave-Maria.

Bandos e bandos com carinho,
Alçam vôo nos quintais,
E Marinho se faz ninho,
E pousada de pardais.

Outros pardais gorgeam,
No paço do calçadão,
Consagrando seus anseios,
Na cidade coração.

Estribilho

O cenário da Matriz,
É palco de benquerer,
Aconchego de amigos,
Que me arrima a viver.

Cantem, cantem meus pardais,
A força nativa que trago,
Amadrinhando teu ninho,
Na querência do meu pago.


Estribilho

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

HERANÇA DO VOTO

Título é o símbolo de uma conquista,
Expressa a essência da altivez,
De gente que tudo faz e tem vez,
Transmite alegria e deixa contente,
Traça um carisma de linha de frente,
De quem na trilha busca a vitória,
Marcando nas brechas da história,
A eleição de um novo dirigente.

Tu que em décadas de outrora,
Servia de ilusória cidadania,
Fazendo nos crer na sabedoria,
De ilustres e destros sabichões,
Arrastando no papo multidões,
Que ficavam até muito comovidos.
Com as promessas de pé-de-ouvido,
Dos eloqüentes figurões.

Foi assim nesta parafernália,
Que por ti perdi o respeito,
E hoje estás desse jeito,
Com o pala todo em farrapo,
Revestido do mais puro fiapo,
Como matreiro corrido de onça,
Tristeza de um ente geringonça,
Velho título feito trapo.

Como diz o velho ditado,
Sem querer fazer acinte,
Ai vem a constituinte,
Com a reforma eleitoral,
Aurora de bom sinal,
Prá votar com serventia,
Novo título sem fotografia,
Com aparência normal.


Abril de 1986.

“João Boca-do-Monte” Patrono da Querência

Alço a perna no meu pingo,
Flete puro Guarani,
Pisando terra Imebuí,
Na velha Boca-do-Monte,
Revivendo horizontes,
Da bela Pátria sulina,
Onde o verde das campinas,
Aminam a quebra dos montes.

Lembro João Cezimbra Jaques,
Gaúcho desde piazito,
Teve um passado bonito,
De raça, fibra e talento,
Deu grito aos quatro-ventos,
Marcando sua trajetória,
Nasceu pra honrar a história,
Na rua do Acampamento.

Vertente de admiráveis virtudes,
Monarca de muita sabedoria,
Sublimava o que fazia,
E ao Rio Grande presenteava,
Tribunando não calava,
Sua filosofia pioneirista,
De raízes indigenistas,
À querência consagrava.

De acendrado amor ao pago,
Ao partir prá eternidade,
Plantou o arco-íris da saudade,
Levando a cisma ardente,
E o entono por semente,
Foi taura por excelência,
Foi caudal de inteligência,
Essência de Terra, Alma e Gente.

Apresentou-se ao criador,
Co’a terra, Boca-do-Monte,
Buscada na mesma fonte,
Desta sobranceira coxilia,
João é uma estrela que brilha,
Na grande estância celeste,
Produto da pampa agreste,
Da brava gente farroupilha.

João Boca-do-Monte,
Bandeira do tradicionalismo,
Suporte do nativismo,
Patrício desta querência,
Sinuelo de transparência,
Que nos reponta as raízes,
Por isso, exultamos felizes,
Os feitos de sua existência.


Santa Maria da Boca-do-Monte, no ano do 139º aniversário do nascimento de João Cezimbra Jaques. Palestra do Cap PM Pedro de Mattos Ribas, no DCT do Clube Caixeral/SM, em 10/11/88.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

CHASQUE DE NATAL

Brilha a estrela boiadeira,
Lá na estância celeste,
E na querência agreste,
O pingo vence distâncias,
Trazendo esperanças,
E lembranças do menino,
Um prenúncio vespertino,
Neste rodeio de andanças.

No aparte deste chasque,
Boas festas e bemquerências,
Desejos em efervescências,
No aconchegar do ano novo,
Que o homem seja mais humano,
Propiciando felicidade e alegria,
Integração e muita harmonia,
Em cada dia do Brigadiano.


Natal de 1987

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

RUGAS DO TEMPO

Sem o abrigo carinhoso do jovem,
Debruçado na janela do tempo,
Olho, vejo, medito e contemplo,
Imploro ao “Pai Nosso” lá do céu,
Que não deixe este irmão ao léu,
Rugando, negras noites de sono.

Como é dura a vida do idoso!
Porque? Ela tem que ser assim!
Se antes, foi árvore, flor e jardim,
Será que depois de tantos invernos,
Viverá só com os risos de amargura?
Esperando o fim de sua árdua aventura,
Distante de um sentimento fraterno.

Como somos maus e impiedosos!
No destino de quem só deu amor,
Ninguém lhe dá mais valor,
Deixando-o sozinho e aflito,
Com a alma sempre em agonia,
Que aos poucos, morre, dia-a-dia,
No “caos” deste mundo em conflito,

Daqui a dias, seremos nós,
Que olharemos para o infinito,
E então, pediremos a “Deus” bendito!
Que nos dê energia e proteção,
Livrando-nos, da triste ansiedade,
Que amarga, no universo da piedade,
Em busca constante da compreensão.

Salve! Salve! O companheiro idoso,
Figura altiva que merece respeito,
Espelho de experiência e grandes feitos,
Tão marcante neste elo de carinho,
Onde a vivência mostra que somos anões,
E enseja momentos para reflexões,
A remover as pedras do caminho,

Amigo! Quem ama a pessoa idosa,
Mostra riqueza humana e espiritual,
Demonstra vivência, e dá sinal,
De altruísmo e muita constância,
E jamais caminhará sozinho,
Pois, encontrará amor e carinho,
No riso, angelical da criança.


Santa Maria, RS, abril de 1986.

Pedro de Mattos Ribas – Autor.

TOQUE DE SILÊNCIO

Ao Sd PM Leovegildo Silveira


Tombou um bravo soldado,
No entrechoque com a vida,
O coração não aguentou a lida,
E só as clarinadas sobrou,
Dos causos que ele contou,
Hoje só resta saudade,
De mais um clarim da Unidade,
Que o Comando supremo chamou.

Por certo fará parceria,
Com o clarim Nico Ribeiro,
Que de Bento foi parceiro,
E hoje vaga a-lo-léu,
Como luz rasgando o céu,
Na grande querência infinita,
Entoando notas bonitas,
Como em seu primeiro tendéu.

Emudeceu mais um calrim,
Da minha Brigada Guerreira,
Que fez melodia e trincheira,
No Regimento a marchar,
Canções e hinos a trinar,
Numa nova dimensão,
Pro seu primeiro patrão,
Que o chamou para lhe escutar.

Clarineia meu bom Silveira,
Leva contigo a velha corneta,
Soarão também as trombetas,
De muitos outros parceiros,
Que partiram daqui primeiro,
E que estão a tua espera,
Com flores de primavera,
Deste rincão sobranceiro.



Santa Maria, RS, 19 Out 88

VELHO TRASTE

Tio João Pedro, velho João,
Abra o fole da cordeona,
Cante junto uma canção,
Nessa gaita querendona.

Em cada verso que canto,
Uma tristeza me invade,
Cada gota do meu pranto,
Velho fole é saudade.

Quando abro este meu fole,
O traste velho rumina,
Meu coração fica mole,
E o meu peito ilumina.

Velha gaita missioneira,
Cheia de marca manhosa,
Mazurca, xote, vaneira,
Queixas de prenda chorosa.

Meu Pai recebeu de herança,
Do tempo do meu avô,
Gaita, chinoca e dança,
Mostrando aquilo que sou.

Velho traste de oito baixo,
Com o fole todo marcado,
Resmungando te encaixo,
No porão do meu passado.

Sta Maria, 10 Abr 86

sábado, 25 de junho de 2011

Holocausto Viário

Roda, roda fogoso corcel,
Por este mundo feroz,
E leva esta mensagem,
No timbre de nossa voz.

A violência do volante,
Não tem alma e nem coração,
Desventurando os andantes,
Que se movem na escuridão.

Vamos gritar bem alto!
Pra que ouçam nosso apelo,
É hora de dar um basta,
No holocausto deste atropelo.
Consciência é a palavra chave,
Pra esta nefasta jornada,
Que nos elege tragi-campeões,
No universo das estradas.

Dos passeios domingueiros,
Vem notícias, no jornal,
De acidentes rotineiros,
Deste pingo sem bucal.

Vamos domar esta fera,
Com os tentos da sabedoria,
Reeducando o corcel redomão,
Pra deixa-lo de boca macia.

São aves de arribação,
Rumando lá para o alto,
Deixando ódio e solidão,
Lá na margem do asfalto.

Vamos, gritemos juntos,
Pra que ouçam nosso apelo,
Chega! É hora de dar um basta,
No holocausto deste atropelo.

Caxias do Sul, RS, I Seminário Gestão do Trânsito Urbano

Romarino

Patrício da velha farda
Respondo teu magnífico poema
Repontando a voz da siriema
Sentimento muito nobre
Tua alma em verso descobre
No peito brioso desse Brigadiano
Caroço rude para os insanos
Sempre firma na defesa dos pobres.

Na luta do dia-a-dia
Somos baluarte da raça
E não cedemos a carcaça
Mesmo que nos arranquem o pelo
Não temos medo de entrevero
Pois, aprendemos sermos duros.

A vitória é o símbolo da conquista
Para quem na busca se empenha
A inveja traiçoeira desempenha
Na desdita insana dos bastardos
Que na vida são pobres fardos
Entonados como pálidos caranchos
Mesquinhos sem Ter qualquer rancho
E que na dignidade são seres pardos.

A estima e força latente
Que impele o calor humano
Estimulando o coração ufano
Do taura que tem amizade
Do poeta xucro da sociedade
Que se estriba no bigode
Honra que a poucos pode
Significar uma sublime vaidade.

Companheiro da velha cepa!
Agradeço tuas rimas e versos
Pra mim teu rancho é o universo
Do aconchego e da estima
Rimar é a tua gratificante sina
No manejo do sentimento
Mostrando valor e talento
Continues na jornada de rimas.

Cap Ribas – Junho de 1988

Carga Bruta


                   Meu caminho itinerante,                          
Levo a sina de quem luta,
Sou tropeiro do volante,
Neste mundo que assusta.

Carrego anseios por diante,
Sou um viajante batuta,
Transporto a todo instante,
Emoções de carga bruta.

Entrego carga ao destino,
Recarrego noutra vaza,
Meu horizonte teatino,
Me mantem longe de casa.

São Cristóvão é companheiro,
Neste rodeio de andanças,
Santo Anjo Padroeiro,
Mantém vivo a esperança.

Chego no bairro das Dores,
Bem no morrer do dia,
Sinto o perfume das flores,
                   Que no meu lar irradia.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Despedida de Comando

I
Com licença Comandante,
Lhe peço o consentimento,
Prá expressar o pensamento,
Da tropa da guarnição,
Ao comandante da região,
Que com dever e seriedade,
Respeito e consideração.

II
A tropa está reunida,
E a vós presta reverência,
Vibrando amor à querência,
Pois é próprio da Brigada,
E ao concluir esta parada,
Com o devido respeito,
E levo dentro do peito,
Nossa amizade guardada.

III
É o chefe nosso amigo,
Filhos dos pagos do Rio Grande,
Que nesta terra se expande,
Deixando concreta amizade,
Levando consigo saudade,
Até me arrepia o pêlo,
Pois ecoam seus conselhos,
Dado com urbanidade.

IV
É charla muito amigaça,
Cheirando grama molhada,
Ressoando igual clarinada,
Como sopro do minuano,
Que envolve o ser humano,
D’alma franca e leadade,
Lhe digo é pura verdade,
É o conceito do Brigadiano.

V
Sempre de passo firme,
No meio da gauchada,
És a alma da Brigada,
Vagando neste rincão,
Que de galpão em galpão,
Fazendo ronda e vigília,
E no altar das coxilhas,
É anjo de lança na mão.

VI
Rondando nossa querência,
Voltado  pro agradecimento,
Na tradição do Regimento,
A figura nobre do Brigadiano,
É o quero-quero pampeano,
Noite e dia em função,
Na defesa de seu chão,
Em todos os meses do ano.

VII
Ao assumir o comando,
Deste Regimento macanudo,
Movimentou quase tudo,
Deixastes pelo aliado,
Agora está pelichado,
E boa aparência tem,
Qual a estrela de Belém,
Marcando vosso passado.

VIII
Abri da mente a cancela,
E soltei minha imaginação,
Seguindo o mesmo padrão,
Reviso os seus pessuelos,
O Regimento é o sinuelo,
Da estrada a ser seguida,
Sua obra será engrandecida,
Com bom trabalho e desvelo.

IX
Atento para o infinito,
Levanto os olhos pro céu,
Boto prá nuca o chapéu,
Com a mais sã disciplina,
Peço ao Patrão lá de cima,
Que lhe dê vida e saúde,
Coragem e juventude,
São nossos votos de estima.

X
Seu nome já foi gravado,
Nos versos desta poesia,
Onde festejamos sua alegria,
Nos tentos da sinceridade,
E nesta oportunidade,
Pedimos ao Coronel Golbery,
Que quando partir daqui,
Leve a nossa amizade.


                                                                                        Pedro de Mattos Ribas

Biongo

Eu parti da minha terra,
Deixando o biongo para trás,
A lavoura e a figueira,
Sonhando com muita paz.

Deixei amigos e parentes,
Para trabalhar na cidade,
Larguei ferramenta e sementes,
Em busca da felicidade.

Queria um bom emprego,
Que me desse tranqüilidade,
Pra família o sossego,
E muita prosperidade.

Abandonei as lides da roça,
Pra conquistar novo espaço,
Só consegui uma palhoça,
Bem distante dos rincões.

Quero voltar pra serra,
Ajojar o boi pitanga,
Mexer as entranhas da terra,
E me banhar lá na sanga.

Quero fazer meu biongo,
Com paredes de ternura,
Tendo a semente esperança,
Germinando candura.

Quero esquecer aquele refrão,
Plante que o João garante,
Semeando somente ilusão,
Tornando-me um itinerante.

Rincão da Boca do Monte

Na baixada o grande vale,
Com casas e arranha-céus,
A bruma da chuva como véu,
Cobre com espessa cerração,
Fumaça das entranhas do chão,
Como vinho extraído da uva,
Num belo dia de chuva,
Na cidade CORAÇÃO.

Escrevem os historiadores,
Exaltam os poetas a sua beleza,
Crêem que a mãe natureza,
Foi exuberante por aqui,
Pois no funda d’alma senti,
A mão do grande arquiteto,
Que embelezou o universo,
Na grande terra Imenbuí.

Província de São Pedro,
Como é vasto meu Rio Grande,
Quanta beleza se expande,
Em teus morros e pradarias,
No CORAÇÃO SANTA MARIA,
Centro Cultural Universitário,
De mestres depositários,
De herança e sabedoria.

Entre montes coberto de relva,
Retratando a velha Europa,
Na vindima florescem copas,
Afluindo fartos cachos,
Na terra fecunda acho,
Trabalho calmo de estância,
E filhos têmpera de aço.

Rincão da Boca do Monte, abril de 1986

                                                                       Pedro de Mattos Ribas – Cap PM

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Homenagem ao Inativo

Frente a figura do Inativo,
De puro cerne de coronilha,
A minha alma se enforquilha,
No brilho de sua estampa,
E em meu ser se acampa,
A construção do passado,
Que a história tem registrado,
No perfil de nossa pampa.

Marchando a passo firme,
No caminho do dever,
Fizeste a Brigada crescer,
Com determinação e civismo,
Com coragem e altruísmo,
Protegendo a cidadania,
Assegurando o di-a-dia,
As honras de seu gauchismo.

Folhando o livro do tempo,
Li a escrita dos caudilhos,
E como sou um bom filho,
Reverencio o acervo de glórias,
Orgulho de nossa história,
Legada pelos ancestrais,
Que registrastes nos anais,
A vossa sublime vitória.


                                                É inesquecível este dia,
                                                Que entrelaçamos nossas mãos,
                                                Unimo-vos ao vosso coração,
                                                Num cumprimento a saudade,
                                                E revigorando a amizade,
                                                Transbordante de alegria,
                                                Ungido-nos em sintonia,
                                                Nos tentos da solidariedade.

Meu companheirismo inativo,
Criador desta Brigada,
Cumpriste tua jornada,
Deixando herança concreta,
E a nossa alma inquieta,
Seguindo o teu exemplo,
E para guardar este templo,
Somos, sentinelas alertas.

Santa Maria, 12 Nov 83
Cap PM Pedro de Mattos Ribas
                          Ten PM Armando Pereira Mendonça

Cristóvão Pereira de Abreu

Em 1599, Don Francisco de Souza, governador-geral do Brasil (entre 1591 a 1602), ainda acreditando na existência de ouro, esteve na região e levantou o pelourinho - símbolo do poder real na Nova Vila de Nossa Senhora da Ponte de Mont Serrat. Como se confirmasse a existência do metal, o governador retornou à corte.
Em 1654, o capitão Baltazar Fernandes mudou-se para a região com a família e escravaria e fundou um povoado, ao qual deu o nome de Sorocaba que na linguagem Tupi-Guarani significa “Terra Rasgada”.
Como incentivo para o povoamento da região, doou grande gleba de terras aos beneditinos de Parnaíba, com a condição de que estes construíssem um convento e uma escola, que funcionaria como centro gerador de cultura.
Na época, o comércio de índios era a principal fonte de renda, que a partir do século XVII foi substituída por outra atividade ligada ao comércio; as feiras de muares. A primeira tropa passou por suas ruas no ano de 1733, conduzida pelo Coronel gaúcho Cristóvão Pereira de Abreu, um dos fundadores do Rio Grande do Sul. Sem saber, Pereira de Abreu estava fazendo história e inaugurando um ciclo, o do Tropeirismo.
Sorocaba com o passar dos anos, devido a sua posição estratégica, tornou-se marco obrigatório para os Tropeiros, eixo econômico entre o Norte, o Nordeste e o Sul. A cidade, com o fluxo de tropeiros, ganhou uma Feira de Muares, onde brasileiros de todos os Estados reuniam-se para comprar e vender animais.
O grande fluxo de pessoas e de dinheiro proporcionou desenvolvimento do comércio e da indústria caseira, baseado na confecção de facas, facões, redes, doces e objetos de couro para montaria.
Novos ciclos de desenvolvimento marcaram a história de Sorocaba, incrementando a partir de 1875, com a inauguração da Estrada de Ferro Sorocabana. Indústrias têxteis de origem inglesa instalaram-se na cidade e tornaram-na conhecida como a Manchester Paulista.
Foi pelos trilhos da velha Sorocabana que chegou o progresso e logo o pequeno vilarejo desdobrou seu espaço, multiplicou sua população, passou a cidade, chegou a município e acabou investida na condição de Comarca.
O declínio da indústria têxtil fez com que a cidade buscasse novos caminhos e, a partir da década de 70, diversificou o seu parque industrial, hoje com aproximadamente 1.500 empresas, entre elas algumas principais do país.
A história de Sorocaba está presente em edifícios seculares, verdadeiras relíquias da arquitetura, como o Mosteiro de São Bento, com suas paredes de taipa; a Igreja Catedral, a Casa da Marquesa de Santos (Museu Histórico Sorocabano) , o Casarão de Brigadeiro Tobias , Estação de Ferro Sorocabana, entre outros.
Fonte: http://www.sorocaba.sp.gov.br/secoes/sorocaba/historia/index.php